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Investigação
“Rural Matters” é coordenado por Elisabete Figueiredo
Projeto coordenado pela UA deteta mudanças na forma como o rural é representado
Rural Matters estuda evoluções do rural e dá pistas para decisões políticas
Um projeto coordenado pela Universidade de Aveiro (UA) que tem vindo a ser desenvolvido com investigadores das universidades de Lisboa (Instituto Superior de Agronomia), de Coimbra e de Trás-os-Montes e Alto Douro, encontrou evidências de profundas transformações na forma como o rural é representado, em Portugal, ao longo dos últimos 30 anos. O trabalho realizado até agora, com base na análise de conteúdo de um grande número de documentos, confirmou, através da produção de evidência empírica consistente, as mudanças já identificadas em outros estudos.

Entre vários outros aspetos já tornados claros pelo “Rural Matters”, Elisabete Figueiredo, coordenadora do projeto e professora do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da UA, destaca uma mudança nos discursos políticos, nos programas de governo, nos programas de desenvolvimento rural, nos programas de incentivo ao turismo, nas campanhas promocionais de turismo nacional, no cinema e nas notícias publicadas na imprensa. No caso da promoção turística do rural, de “estático e velho” o rural passou a ser representado como “vocacionado para públicos jovens onde se podem desenvolver várias atividades”. De um “rural escuro, cor de terra, e fechado” para um “rural verde, palco de atividades privilegiado para atividades de natureza e aberto a forasteiros”.

As fases que decorreram até agora, consistiram na identificação dos principais conceitos teóricos e da sua operacionalização e da análise de conteúdo exaustiva aos documentos mencionados entre 1986, ano em que Portugal aderiu à Comunidade Económica Europeia, e a atualidade. Foram realizadas também entrevistas a atores-chave (Ministros e Secretários de Estado) que, ao longo daquele período, foram responsáveis pelo desenho e aplicação de políticas e estratégias relacionados com as áreas rurais. Nas fases seguintes, estão previstas a aplicação de um inquérito por questionário a uma amostra representativa da população portuguesa e a aplicação entrevistas a diferentes tipos de atores sociais. . Pretende-se perceber, por um lado qual o significado social do rural em Portugal, as procuras e os consumos de que este território é alvo e, por outro lado, avaliar e contribuir para informar as estratégias políticas de desenvolvimento.

Os investigadores consideram que as questões do rural têm atualmente mais importância, em Portugal, como se comprova pela presença desse tema nos discursos do “10 de junho” do Presidente da República, em 2012 e em 2013, pelos incentivos institucionais ao “regresso ao campo” de um maior número de pessoas e por um muito superior número de candidaturas a programas de desenvolvimento rural e agrícola ocorrido nos últimos dois a três anos, em comparação com as últimas décadas. A coordenadora do estudo refere também um maior número de aprovações, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, nas candidaturas de projetos de investigação ligados à temática do rural.

Da equipa de investigação do “Rural Matters” fazem parte, para além de Elisabete Figueiredo e do Bolseiro de Investigação Científica  Diogo Soares da Silva, três investigadoras e professoras do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA: Elisabeth Kastenholz, Celeste Eusébio e Maria João Carneiro. Incluem-se ainda na equipa do “Rural Matters” Isabel Rodrigo, do Instituto Superior de Agronomia (Universidade de Lisboa), João Luís Fernandes, da Universidade de Coimbra, Artur Cristóvão e Lívia Madureira, ambos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Para além da investigação, o projeto tem também uma componente de formação, incluindo na equipa três bolseiros e quatro estagiários, estudantes do Mestrado em Gestão e Planeamento em Turismo, da UA.

As primeiras conclusões do projeto, foram já apresentadas em congressos internacionais (XXVI ESRS Congress, em Florença; IX CIER, em Lisboa; ORTE Conference, em Aveiro) e nacionais (Conferência Europa 2020, em Aveiro; ESADR 2013, em Évora). Estão ainda em fase de submissão a revistas internacionais, dois artigos científicos com alguns resultados do projeto. 

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