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Entrevistas
Andreia Hall, professora no Departamento de Matemática e coordenadora do Circo Matemático da academia de Aveiro
(Palhaços + crianças) x (magia + números) = Circo Matemático da UA
Alguns dos artistas da UA: (atrás, da esquerda para a direita) João Rodrigues, Rosália Rodrigues, Rosa Anélia Martins, Ricardo Pereira,  (à frente, da esquerda para a direita) Andreia Hall, Ana Paula Nolasco e Isabel Brás
Senhoras e senhores, meninos e meninas, bem-vindos ao circo, o maior espetáculo do mundo! Convosco vamos ter… professores de Matemática!?!? Sim, professores de Matemática porque este não é um circo qualquer. É o Circo Matemático da Universidade de Aveiro (UA).

Há igualmente magia, contorcionismo e palhaços mas é no reino dos números e das equações que o espetáculo acontece. E tal como um circo normal, também este é itinerante. É nas escolas básicas e secundárias e nas escolas profissionais que os artistas – professores do Departamento de Matemática (DMat) e do Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática da UA - montam a tenda para cumprir a sua grande missão: uma a uma, de forma divertida e pedagógica, cortar as sete cabeças do bicho tantas vezes associado à Matemática.

O projeto, que tem também núcleos nas universidades de Coimbra e Lisboa, nasceu em 2012 para fomentar a curiosidade geral para a Matemática entre os mais pequenos com a realização de atividades lúdicas, atrativas e variadas. Os artistas de Aveiro já realizaram três dezenas de espetáculos para mais de 2500 crianças em escolas e museus da região centro do país. A magia, o esplendor, a surpresa e o deslumbramento com os quais os 12 professores do circo da academia de Aveiro exibem a crianças e graúdos alguns efeitos matemáticos já cativaram, certamente, muitas cabeças desmotivadas com os números.

Na coordenação do maior espetáculo do mundo versão UA, Andreia Hall, diretora do Mestrado em Matemática para Professores do DMat, desvenda a iniciativa que, a rir e a brincar, tem feito da matemática, inesperadamente para muitas crianças, uma ciência divertida e apaixonante. Já agora, avise-se pelas escolas que a caravana do Circo Matemático está pronta a fazer-se à estrada. Basta escrever para dmat-circo@ua.pt e mandar vir uma boa dose de números embrulhados numa enorme e contagiante risada.

Afinal a matemática pode ser mesmo divertida para os mais pequenos…

Sem dúvida! É muito gratificante observar a forma como os miúdos fixam a sua atenção no espetáculo e durante mais de uma hora alternam entre momentos de puro riso e momentos de total espanto perante aquilo que parece verdadeira magia.

O mesmo se pode dizer dos professores de Matemática tantas vezes injustamente estereotipados como sisudos e que neste circo são autênticos palhaços.

É verdade! O que mais nos prende ao circo são os momentos de descontração e prazer que temos passado juntos.  Os espetáculos em si são quase sempre muito gratificantes pois temos a circo temos a oportunidade de sentir olhos nos olhos a alegria dos miúdos. Mas claro que estamos um pouco tensos por estar em palco daí que, muitas vezes, onde nos divertimos de forma mais descontraída é durante os ensaios e nas viagens.

Como é que se desenrolam as atividades do Circo Matemático?

As sessões de Circo Matemático são compostas por cerca de uma dúzia de números, a maioria dos quais são truques de magia com Matemática. Alguns truques são com cartas, outros com cordas ou papel e os restantes são numéricos. Os restantes números, que não são truques, são intervenções de um palhaço “matemático” que faz coisas como contas mal feitas, ler um noticiário com piadas relacionadas com a matemática, truques ridículos tentando imitar os matemáticos… Estas sessões contam, regra geral com uma equipa composta por um apresentador, um ou dois mágicos, um contorcionista, um mentalista, um palhaço e um DJ que coloca as músicas de fundo e gere o powerpoint que acompanha a sessão.

Que parte do espetáculo suscita normalmente mais entusiasmo entre as crianças? E entre os adultos?

Eu acho que todo o espetáculo gera entusiasmo entre as crianças e os adultos. As palhaçadas fazem rir, claro. Mas os truques prendem a atenção pelo suspense e pela “magia”. A maioria dos truques não são desvendados no momento e a audiência não consegue perceber como funcionam. No final do espetáculo estamos sempre disponíveis para explicar as magias aos interessados.

Que tipo de reações têm as crianças perante as sessões?

As crianças costumam estar muito atentas, bem dispostas e participativas durante as sessões. Todos os nossos números contam com a participação de voluntários. Regra geral há sempre muitas crianças a querer participar. Por vezes os mais velhos são menos participativos, mas tem dependido das escolas.

Este projeto tem dado frutos positivos?

Eu acredito que sim, embora não tenhamos muito feedback pois só costumamos ir uma vez a cada escola. No entanto, entre as escolas onde já fomos, algumas já nos pediram para voltar.

O que é preciso para se ser artista deste Circo?

Fundamentalmente é preciso querer sê-lo. Eu acredito que todos nós temos capacidades criativas e potencialidades para explorar. Claro que o meio previligiado para captar estes “artistas” é o DMat mas também as escolas. Eu gostaria de vir a contar com a colaboração de professores de Matemática, ou outros, no elenco do circo. À partida, os professores já sabem bem o que é estar à frente de um público – os seus alunos. É meio caminho para chegar a artista do Circo Matemático.

Os artistas matemáticos recebem algum tipo de formação?

Nós fazemos muitos ensaios. Algumas sessões servem apenas para planear truques e procurar “encenações” para esses mesmos truques. Sempre que há um espetáculo fazemos um ensaio. Como em qualquer área os resultados não caiem do céu.

Que caminhos gostaria que no futuro trilhasse o Circo?

Gostaria que o circo chegasse a mais escolas e a outros níveis de ensino. O pré-escolar e primeiros anos de escolaridade constituem um público muito interessado que nós ainda não tivemos a oportunidade de explorar. Neste momento não temos capacidade para ir mais além. Talvez se tivéssemos uma equipa maior conseguíssemos dar outro tipo de resposta. Por vezes sinto que as pessoas não se envolvem mais porque o Circo não é reconhecido como uma atividade universitária da mesma maneira que a investigação, por exemplo. Gostaria também que pudéssemos fazer uma partilha de experiências com outros projetos similares. Em Inglaterra existe um projeto curioso, que já conhecíamos na altura em que se formou o circo, e que consiste em fazer espetáculos de rua – chama-se MathsBusking. Internacionalmente existem várias experiências no âmbito da magia matemática. Era bom podermos conhecer os nossos pares e partilhar experiências.

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