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Opinião
Artigo de opinião da autoria de Zélia Breda, professora no DEGEI
A igualdade de género no setor do turismo
Zélia Breda, docente no DEGEI
O Dia Internacional da Mulher assinala-se esta sexta-feira, 8 de março, com iniciativas nacionais e locais, em defesa dos direitos das mulheres. Neste âmbito, Zélia Breda, professora no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da Universidade de Aveiro (DEGEI), avança com algumas conclusões do projeto “Gentour - A questão do género no setor do Turismo” que identifica desigualdades de género ao nível dos salários, das horas de trabalho e do tipo de horário ou da mobilidade vertical dos trabalhadores. Os resultados confirmam ainda que as mulheres revelam, de uma forma geral, situações menos vantajosas no emprego comparativamente aos seus pares, mesmo quando têm a mesma formação académica e desempenham a mesma função ou cargo.

O projeto Gentour, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e desenvolvido sob a coordenação científica do Prof. Doutor Carlos Costa, pretende dar contributos para a discussão sobre o potencial das mulheres no setor do turismo e os fatores que impedem a sua mobilidade vertical, procurando fornecer pistas e soluções para este problema.

O estudo, que decorreu de 2009 a 2012, foi dirigido a estudantes de turismo no ensino superior, no que diz respeito aos seus objetivos, motivações e expectativas, e a diplomados de turismo, de modo a analisar a sua evolução na carreira, bem como adquirir conhecimento sobre essa progressão, o nível salarial, expectativas e cargos de gestão mais comuns. No total, foram obtidas mais de 3 mil respostas. O estudo foi ainda alargado ao Brasil, através da aplicação do questionário a estudantes e diplomados na área do turismo, permitindo uma comparação entre a realidade portuguesa e a brasileira.

As conclusões do projeto apontam para o facto de a dificuldade em conciliar o trabalho e a vida familiar ser o principal entrave à mobilidade vertical das mulheres nas organizações. Deste modo, são necessárias políticas públicas que favoreçam a partilha entre mulheres e homens da responsabilidade de cuidar dos filhos.

Para além disso, os dados sugerem que a implementação nas empresas de boas práticas para a igualdade de género e para a conciliação trabalho-família pode ter um impacto significativo na vida dos trabalhadores, nomeadamente na sua satisfação com o emprego.

Com o diagnóstico da situação no emprego, e dada a importância do setor para a atividade económica nacional, foram identificadas desigualdades de género ao nível dos salários, das horas de trabalho e do tipo de horário (parcial ou completo), da mobilidade vertical dos trabalhadores, dos padrões regionais relativamente à formação académica e ao perfil dos diplomados; confirmou-se, também, que as mulheres revelam, de uma forma geral, situações menos vantajosas no emprego comparativamente aos seus pares, mesmo quando têm a mesma formação académica e desempenham a mesma função ou cargo.

O trabalho de investigação permitiu, de igual forma, verificar que há uma maior perceção de discriminação na vida profissional entre as mulheres. A perceção destas desigualdades no ambiente empresarial cria desconfortos entre os colaboradores, deteriorando as relações laborais e, consequentemente, o sentimento de satisfação com o emprego e a produtividade dos indivíduos.

Baseado nos resultados deste projeto, encontra-se a decorrer um outro estudo, também financiado pela FCT, cujo objetivo central é analisar a igualdade de género em empresas e organizações de turismo, avaliando o potencial das estratégias de inovação, internacionalização e de rede para impulsionar a igualdade de género, bem como o empreendedorismo das mulheres, de modo a promover o crescimento económico.

Mais informação acerca destes projetos pode ser encontrada em www.genderintourism.com

Zélia Breda
Docente do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial e membro da equipa de investigação do projeto Gentour

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