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Opinião
Artigo de opinião da autoria de Paula Gomes, docente do DAO
Um Natal ambientalmente mais colorido
Natal: desperdícios
Contentores de lixo a abarrotar com toda a espécie de resíduos - dos restos de comida ao papel e cartão que acondicionaram os presentes natalícios – são imagens habituais nesta quadra. Que medidas poderemos adotar para diminuir os impactes ambientais associados à época natalícia? Que destino dar ao papel de embrulho e às fitas coloridas? Paula Gomes, professora no Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro, deixa algumas sugestões.

A quantidade e composição dos resíduos urbanos variam geograficamente e sazonalmente de acordo com diferentes fatores, como por exemplo, os hábitos culturais da população.

A época natalícia está, quase sempre, associada a uma forte geração de resíduos, que, por um lado, traduz um maior consumo de recursos materiais e energéticos e, por outro lado, incrementa os custos económicos e impactes ambientais associados à sua gestão, desde a recolha à deposição em aterro. Assim, os mais radicais diriam: acabe-se com as festas e com as prendas, até porque os tempos são difíceis.

Sim, estamos em tempos de contenção e os excessos e loucuras dos deslumbrados tendem a diminuir, mas (mesmo numa situação limite) culturalmente não se consegue conceber o Natal sem a reunião das famílias e sem os presentes; sem a ansiedade das crianças, sem o sorriso de quem recebe aquilo de que gosta ou precisa e sem o prazer de quem dá.

Certo é, que nesse clima de confraternização, vai crescendo o monte(inho) de sacos, papéis coloridos, fitas e caixas. De onde vêm? O que fazer com eles?

Qualquer compra que se efetue numa loja é imediatamente colocada num saco identificador da loja, sem ser perguntado ao cliente se deseja saco (qual o ar de indignação quando o comprador diz que não precisa de saco). Se for dito que é um presente, este é embrulhado previamente, colocada um laço e o saco agrafado, dificultando a sua reutilização.

Será que os comerciantes avaliam a fração do custo das embalagens relativamente ao movimento do negócio?

O monte(inho), pode ter diferentes destinos.

- Junta-se tudo num saco de lixo, juntamente com os restos dos alimentos e, quem sabe, até com as latas e as garrafas de vidro e leva-se para o contentor verde do lixo indiferenciado. Neste caso, na maior parte das situações, tudo terá como destino o aterro, onde os restos de alimentos se vão decompor (gerando lixiviados e gases), juntamente com algum papel que pode demorar entre três meses a dezenas de anos a desaparecer. Os plásticos, as latas e o vidro permanecerão no aterro durante gerações, sem qualquer serventia, enquanto os recursos naturais serão explorados para produzir novos objetos.

- São separados os sacos dos papéis de presente e das fitas (pois diz-se aos convidados para não rasgar, nem amarrotar) e guarda-se na despensa para ir reutilizando ao longo do ano nos mais diversos fins, prolongando, assim, o tempo de vida desses materiais e evitando consumo de recursos naturais e de energia.

- Dobrando sem amarrotar, são separados os sacos de plástico dos sacos de papel e papéis de presente, bem como das fitas, para posteriormente serem levados para o ecoponto, para serem encaminhados para reciclagem.

Será todo o monte(inho) possível de reciclar? O plástico, desde que seja um termoplástico, é passível de reciclagem, diminuindo o consumo do recurso petróleo. As fitas são um caso mais complicado em termos de reciclagem, mas elas podem ser reutilizadas imensas vezes, saltando de presente em presente. O papel e o cartão podem ser reciclados, evitando o abate de árvores e preservando a floresta, ao mesmo tempo que, no processo de produção de papel reciclado, se economiza energia elétrica, consome menos água e gera menos efluentes. Contudo, há materiais associados ao papel que inviabilizam a sua reciclagem, é o caso de: papéis plastificados, papéis metalizados, papéis parafinados, papel vegetal, fitas adesivas.

A reciclagem do papel consiste no aproveitamento das fibras de celulose existentes nos papéis usados, num banho de detergentes e solventes para retirar a tinta. O papel é transformado numa pasta e as impurezas são removidas com uma série de lavagens. Quanto mais tinta o papel possuir mais dificultado é este processo e maior quantidade de efluentes é gerado, aumentando os impactes ambientais.

Porque é que os presentes têm um acondicionamento tão elaborado?

Porque não se opta por saco ou embrulho de papel?

Porque é que o papel de presente tem tanta tinta?

Porque não se usa um papel sem tinta onde se poderá escrever uma mensagem de Natal, ou, pedir às crianças que façam um desenho sobre o Natal? Certamente o presente teria ainda mais valor.

Cabe ao cidadão a escolha do seu presente de Natal.

Um Feliz Natal.

 

Paula Gomes
Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro

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